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MEMORIAL AOS PRESOS DESAPARECIDOS - URUGUAI

INÍCIO DO PROJETO

1998

2001

CONCLUSÃO DA OBRA

300

M² CONSTRUÍDOS

Local: Montevidéu, Uruguai
Data do projeto: 1998
Data da conclusão da obra: 2001
Área construída: 300 m²
Arquitetura: Ruben Otero e Martha Kohen (autores); Pablo Frontini, Diego López de Haro, Rafael Dodera e Mário Sagradini (colaboradores)

Desenho simples, em vidro e concreto, reforça lembrança dos desaparecidos - Memorial está implantado em parque municipal.


O projeto do Memorial aos Presos Desaparecidos, de autoria dos arquitetos uruguaios Ruben Otero Martha Kohen, foi o vencedor de um concurso nacional organizado, no final da década de 1990, pela Sociedade de Arquitetos do Uruguai e pela prefeitura de Montevidéu, no qual 47 escritórios presentaram trabalhos. o desenho simples, porém significativo, e a implantação do projeto foram destacados pelo júri.


O Memorial aos Presos Desaparecidos é uma homenagem da sociedade uruguaia às vítimas da fortemente repressiva ditadura militar que, de 1973 a 1984, governou o país vizinho do Brasil. O projeto resultou de um concurso nacional lançado pela cidade de Montevidéu, cujo prefeito é o arquiteto Mariano Arana, e organizado pela Sociedade de Arquitetos do Uruguai e pela Comissão Pró-Memorial dos Desaparecidos. Os arquitetos Ruben Otero e Martha Kohen foram os vencedores.

O local escolhido para o memorial foi um de parque da capital uruguaia, em frente ao mar. "Procuramos inserir o memorial em uma área do parque distante das movimentadas ruas e avenida que o cortam, buscando a calma e a introspecção necessárias a um momento desse tipo” explica Otero.


O projeto desenvolveu também o paisagismo do entorno, as vias de acesso e estabeleceu implantação em área na qual rochas afloram. Assim, a natureza passa a ser parte integrante do monumento, de acordo com Otero e Martha. O memorial está circunscrito por um quadrado de concreto de 30 x 30 metros; os autores propuseram tirar toda a capa superficial que recobria as rochas, e estas passaram a fazer parte da instalação, simbolizando, talvez, o lado rústico, forte da natureza, em contraste com o desenho bastante minimalista do memorial propriamente dito.


Ele é constituído por duas placas de vidro temperado de dois centímetros de espessura - para proporcionar resistência a choques -, enterradas 40 centímetros na base de concreto. Perfis metálicos em aço corten fornecem o acabamento das duas placas, distantes entre si 1,80 metro, o que permite a passagem pelo passeio de concreto existente entre elas e a leitura dos nomes de 156 pessoas - a maioria delas, 130, foi presa e desapareceu na Argentina; as demais, no próprio Uruguai e no Brasil, segundo dados da Comissão Pró-Memorial dos Desaparecidos.


O monumento, que custou 300 mil dólares, arrecadados pela comissão, representa mais do que a sua intencionalmente forte simplicidade permite observar. "Não se trata de substituir outras formas necessárias de reparação em particular, a verdade individual e concreta de cada um dos desaparecidos, mas de oferecer um clima de serena reflexão sobre o que aconteceu e ainda acontece. Não através do confronto ou do discurso violento, mas do testemunho silencioso e profundo do símbolo”, assinala texto da comissão. O projeto recebeu também o 1 º Prêmio da Bienal Internacional de Quito.


Texto por: Silvério Rocha






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